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Cobertura: Festival Vulva La Vida‏



Resenha: xDudux

Fotos: Divulgação, Ivo Delmondes, Rafael Mago


Sábado (22/01/2011) era dia de fazer uma viagem a minha adolescência, sim muitas recordações da época de que tinham muitas bandas feministas punx pipocando e resistindo a tudo isso a banda Dominatrix estava de volta a Salvador para mostrar que nem tudo está morto. O show fez parte da programação do Festival Vulva La Vida, que além dos shows teve palestras e oficinas direcionados ao público feminino, felizmente o show foi aberto a homens, mulheres, gays, brancos, negros...enfim, a quem quisesse e tivesse interesse em ir. Nada mais óbvio que o público predominante fosse o feminino.

A abertura da sessão de shows da noite ficou por conta das feirenses da Endometriose - http://www.myspace.com/endometriosebanda - que já contava com um público bem legal para apreciar a sua apresentação, que confesso não ter me agradado em nada. A banda estava bem desencontrada, tão desencontrada quando as vi no Palco do Rock de 2009. Continuam seguindo a mesma linha de som, fazendo um punk/hardcore mais pesado e horas soando até como bandas mais pops. A banda é composta apenas por garotas executou covers da também baiana Inkoma, "Reaja"; Bikini kill, "Rebel Girl" e impressionantemente Garotos Podres, "Oi, tudo bem?". Apesar de uma quantidade razoável de pessoas no recinto o show foi bem frio, talvez o momento de maior fervor da apresentação das garotas ficou no cover da clássica banda punk Bulimia, "Punk rock não é só para seu namorado". Finalizando o show, e a lista de covers, mandaram a música "Não me importo" do Ratos de Porão, mas numa versão mais complexa que a original, que foi gravada pela Inkoma no EP "Influir", acho que as garotas deviam ter tocado a versão original que é mais fácil, pois não ficou nada legal a versão tocada.



Superada a apertação de mente inicial, vamos nos divetir ao som da banda sergipana The Jezebels - http://www.myspace.com/jezebelsrock -. A The Jezebels é um excelente powertrio, formado originalmente apenas por garotas, quando gravaram e lançaram seu primeiro EP e atualmente é formada por duas garotas (Guitarra, bateria e vozes) e um rapaz (Baixo/Voz). No primeiro bloco da apresentação mandaram logo a faixa "Jesuis C Ceur", que é uma composição em francês e coladinho com ela a faixa que abre o EP da banda "Rage Control". Seguiram o show com muita competência e qualidade, colando mais duas músicas fodas do EP "I won't pay" e "Hang tha Boss". O baixista no começo da apresentação parecia meio preso, mas no decorrer dela foi se soltando e ficando mais a vontade, mas isso não influenciou em nada a sua qualidade nas 4 cordas, show a parte também foi a desenvoltura da baterista e vocal Paula, vocal esse que inclusive é muito bom. O powetrio em si tem uma energia muito boa, são punkers tocando mais certinho, porém com todo aquele vigor inerente ao punk.


Falando em vigor punk as cearenses da Baby Lizz - http://www.myspace.com/babylizz - não tomaram conhecimento e chegaram chegando. Confesso que quando ouvi a banda no MySpace achei uma bosta e bem sem graça, definitivamente o EP "Luxo para os cegos" não mostra a verdadeira Baby Lizz. A banda é linda! Vem com um punk sujão, na verdade foi a banda mais suja do evento e digo mais, foi uma das bandas mais sujas que ouvi atualmente, foi ver a banda ao vivo e lembrar das bandas da coletânea punk "O começo do fim do mundo", a Baby Lizz entraria fácil nessa coleta. Tocaram cover da banda punk baiana Shes, do Bulimia e a galera já tava no speed máximo quando as meninas resolveram fuder com tudo mandando um cover do Cólera, caralho eu fiquei todo me bulindo e poguei gostoso. Acham que isso foi suficiente? Não mesmo! As meninas vieram no gás e lançaram um Kaos Klitoriano que com certeza deixou muita gente ali presente nostálgica. Final da apresentação mandaram no total improviso mais um cover do Bulimia, com uma baterista retirada do público, mais punx impossível! A banda me cativou bastante, com certeza uma das melhores coisas que descobri por esses tempos, acho que a próxima gravação delas tem que vir com a sujeira que lhes é inerente.


Sem a sujeira musical da banda anterior, mas com o mesmo sangue nos olhos a Munegrale - http://www.myspace.com/munegrale - sobe ao palco acompanhadas de uma baixista e do badalado Dj Bandido nos scratchs e samples. Acho que a presença do baixo ali ao vivo e não apenas uma linha de baixo criado em algum programa desses por ai deu um charme a mais no show das meninas. O grupo aborda temas interessantes, como discriminação, seja ela racial, de gênero ou social, as rimas por muitas vezes são pesadas, fortes e os vocais são bem divididos entre as duas MCs. Pra quem pensava que a galera ali estava apenas para ouvir bandas rockers se enganou, a Munegrale agradou tanto o público que a galera pediu o "bis", que prontamente foi atendido pelo grupo, que veio com um som com um beat bem nervoso. O show foi bem mais do que eu pensava, outra banda que o MySpace acabou não ajudando muito e que o show impressionou.


Para o Gran Finale ficou a banda paulista Dominatrix - http://www.myspace.com/contatodominatrix - que tem mais de 15 anos de estrada e sem sombra de dúvidas é a banda feminista mais conhecida desse país. A primeira metade do show foi de músicas mais novas, grande parte em português como "Vai lá" e "Filhas, mães e Irmãs", que não me agradam muito. Gosto do Dominatrix antigo, em inglês e com aquela pegada mais hardcore. Porém a galera estava agitando demais, em todas as músicas e cantando as canções juntos, o que prova que essa fase "nova" da Dominatrix continua agradando os fãs antigos e mais novos. Ainda na primeira parte do show, diante a fúria da baixista, as cordas do baixo se quebraram, mas o resto da banda não quis nem saber e terminou a música daquele jeito mesmo e fizeram isso com grande maestria, nem parecia que havia tido um problema ali. De baixo novo em mãos as Dominatrix's continuaram arrupiando, na mesma vibe inicial e empolgando ainda mais os presentes, principalmente a galera de Aracaju, que parecia ter descido em peso e representaram na pista. A empolgação era tão grande que as torres de PA’s quase que caíram, mas tudo continuou na tranqüilidade. Músicas como "Homophobia on a Tray", "Pagan Love" e "My New Gun", além de me deixarem bem animado, nostálgico e feliz, comprovam minha tese que as músicas em inglês são bem melhores que as em Português, bem pelo menos ao meu gosto. Rolou um momento de interação com o público, com algumas canções retiradas do fundo do baú e tocadas apenas A Capella, algumas difíceis de serem lembradas até pela própria banda e no fim do show, sempre aquele gostinho de quero mais, afinal foi muito tempo sem virem a Salvador. De longe o show que a Dominatrix fez aqui no início dos anos 00' com a The Haggard foi mais significativo para mim, entretanto esse show do Vulva La Vida foi muito legal e divertido.

Uma coisa é bom frisar: Para mim não existem bandas de garotas, garotos, gays, negros, brancos, pardos, pobre, ricos...existem bandas boas, bandas ruins e bandas que gosto. Se até para se ouvir música começarmos a fazer distinções desse tipo a merda é muito maior do que se pensa.

Comentários

Dill disse…
"Uma coisa é bom frisar: Para mim não existem bandas de garotas, garotos, gays, negros, brancos, pardos, pobre, ricos...existem bandas boas, bandas ruins e bandas que gosto. Se até para se ouvir música começarmos a fazer distinções desse tipo a merda é muito maior do que se pensa."

Merece um beijo por essa frase!
Paulo disse…
e homem podia fazer resenha do evento? rs
Eduardo disse…
Paulo: Desde quando alguém precisa me liberar para fazer algo? Meu poder se baseia apenas em eu querer.

"O Limite é a nossa Vontade".
Fernando disse…
O último parágrafo valeu o blog.
Anônimo disse…
Vc tem que comer muito arroz com feijão para saber fazer crítica de shows.
Terrível relato.
Eduardo disse…
Fernando: Valeu!!!

Anônimo: E você tem que ter muita coragem pra comentar sem ser anônimo, cuzão ou cuzuda. Bota a cara Mr. M! kkkkkkkk
Daniela disse…
Valeu pela resenha e comentários carinhosos Dudu, você é foda e está me devendo uma visita! Beijos
Eduardo disse…
Dani: Que nada Dani, foi um prazer!!! E logo menos tou por ai pra visitar vocês e comer no restaurante!!!
Rodrigo disse…
o negocio eh q tem gente q naum para pra pensar e perceber as disparidades entre os sexos, sempre nessa de achar q ta td bem e que meninas se focarem nessa questão é quererem ser separatistas!

enfim, prefiro naum me prolongar muito... naum sou eu q mostraria a importancia de "fechamentos" do tipo para que as coisas possam melhorar!!
Anônimo disse…
"Não é pra segregar..."
Eduardo disse…
Em cima ai foi eu.
Anônimo disse…
Bostas, todos vocês!
Amine
Eduardo disse…
Amine: Me chama de estrume ;)

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